43 anos de compromisso com a Região de Setúbal
No dia 25 de outubro de 1982, há 43 anos, nasceu a Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), fundada pelos 13 concelhos que compunham o distrito de Setúbal. A Revolução de Abril abriu caminho ao Poder Local Democrático, estabelecendo um modelo de gestão territorial que conferiu às populações uma voz ativa na resolução dos seus problemas.
Face aos desafios daquela época, as aspirações e vontades revelaram-se ainda maiores. A AMRS surgiu com a missão de “promover estudos, elaborar e gerir planos comuns nos domínios da cultura, educação, informação, saúde, segurança social, urbanismo, defesa do meio ambiente e das infraestruturas, com vista ao desenvolvimento económico, social e cultural das populações do Distrito.”
Ao longo de quatro décadas, a AMRS consolidou-se como uma instituição dinâmica e influente. Os municípios associados, unidos, marcaram o presente e o futuro do país através de projetos que abrangeram o ambiente, as novas tecnologias, a gestão urbana e a criação de uma rede pública de bibliotecas.
Na década de 1980, a AMRS teve papel fundamental na resposta à crise económica que afetava a região, com o encerramento de grandes indústrias como a Quimigal, no Barreiro, e a Lisnave, em Almada. Nessa altura, elaborou o Plano Integrado de Desenvolvimento do Distrito de Setúbal (PIDDS) e acompanhou a Operação Integrada de Desenvolvimento da Península de Setúbal.
Foi também a primeira vez que as populações da região foram chamadas a pronunciar-se sobre o seu futuro. Projetos como a construção da circular da Península de Setúbal, o Metro Sul do Tejo, a terceira travessia do Tejo e a criação de um aeroporto na Margem Sul resultam dessa visão pioneira.
Paralelamente, os temas ambientais e a qualidade de vida ganharam relevância. Sob iniciativa da AMRS, nasceram a LIMARSUL e, posteriormente, a AMARSUL, bem como a SIMARSUL, conferindo à Região soluções públicas, com participação municipal, para a gestão de águas residuais e resíduos sólidos. Graças a esse percurso, a Região de Setúbal alcançou taxas superiores a 90% na recolha e tratamento de águas residuais, contribuindo de forma significativa para a despoluição dos estuários dos rios Tejo e Sado.
Na década de 1990, a AMRS implementou o Programa de Modernização Administrativa das Autarquias do Distrito de Setúbal (PROMAAS), que formou milhares de trabalhadores municipais ao longo de mais de três décadas e meia, promovendo a modernização dos serviços autárquicos.
Ao longo da sua história, a AMRS assumiu um papel decisivo enquanto interlocutora regional, colaborando com diversos atores locais em debates públicos que marcaram a região, especialmente em matérias relacionadas com infraestruturas. Destaca-se o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Península de Setúbal (PEDEPES), concebido com a participação ativa dos municípios, empresas, trabalhadores e outros agentes sociais, que se tornou um dos instrumentos mais importantes para o desenvolvimento regional.
O projeto “Setúbal-Península Digital” abriu um novo eixo de atuação, estruturando e promovendo a comunicação digital intermunicipal, colocando as autarquias na vanguarda dos desafios tecnológicos contemporâneos.
O Festival Liberdade, criado em 1994 para comemorar os 20 anos do 25 de Abril, consolidou-se como espaço privilegiado para o movimento associativo juvenil. A sua reedição em 2014 confirmou a pertinência desse espaço e a sua importância para os jovens da Região.
Na área da cultura, a ligação da AMRS às estruturas regionais é histórica. Desde 1985, com o lançamento da Revista Movimento Cultural, passando por inúmeros encontros e iniciativas que culminaram no Encontro Regional da Cultura, até à incorporação do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, instituição de referência na investigação arqueológica na Península Ibérica, a AMRS tem defendido o património cultural local.
Destacam-se ações concretas como a aquisição e recuperação da Quinta de São Paulo, que salvaguardou os Conventos de Alferrara, reforçando a proteção do património regional.
O trabalho com os acervos e as bibliotecas públicas municipais revela-se igualmente central.
Os Encontros de Leitura Pública, já na sua décima primeira edição, e a colaboração com o Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro foram decisivos para o desenvolvimento de uma ampla rede de espaços de leitura ao serviço das populações.
Na educação, pilar estratégico do desenvolvimento regional, a AMRS continua a protagonizar um papel de relevo. Os Encontros sobre Educação e Poder Local, a publicação da Revista Educação e Ensino, a edição da Agenda do Professor, o Projeto Kid’s Guernica – Educação pela Paz, e a Quinta Pedagógica de São Paulo são exemplos do trabalho dedicado da Associação.
2025: Um ano de projetos marcantes
Este ano, a AMRS reforçou o seu compromisso com o futuro da Região, dando continuidade ao processo estratégico iniciado com o Plano Estratégico da Região de Setúbal, que integra a Península de Setúbal e o Alentejo Litoral numa visão conjunta para a próxima década. Este plano define orientações claras para responder aos desafios sociais, económicos, ambientais, urbanísticos, culturais e educativos.
A Rede de Património Cultural Visitável da Região de Setúbal, iniciativa do Fórum InterMuseus do Distrito de Setúbal (FIDS), promovida pela AMRS em parceria com os municípios associados e o MAEDS, propôs uma descoberta integrada da região através de rotas temáticas que revelam as múltiplas expressões patrimoniais da paisagem, das tradições e do quotidiano das comunidades.
O FIDS destacou o compromisso com a valorização do património, o fortalecimento da identidade regional e a aproximação das comunidades numa viagem pelo passado que inspira o presente.
A AMRS tem participado ativamente no Encontro de Casas da Província de Santa Maria da Arrábida, assumindo, com orgulho, a organização da edição de 2025. Deste trabalho coletivo nasceu o projeto da Rede de Investigação dos Conventos Arrábidos (RICA), que reúne investigadores, academias, tutelas e outras entidades dedicadas ao estudo e salvaguarda do património com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre o património material e imaterial da antiga província franciscana.
Foi igualmente promovido o 1.º Encontro de Agentes de Turismo da Região de Setúbal que contou com a presença de cerca de uma centena de agentes e mais de trezentas pessoas ligadas ao setor do turismo, o evento constituiu um espaço de partilha de experiências, criação de sinergias e valorização da oferta turística regional.
O reconhecimento da Arrábida Reserva da Biosfera da Unesco a 13.ª em Portugal, constitui um dos grandes motivos de celebração destes 43 anos. Esta distinção, resultado de um processo iniciado em 2016 com a coordenação da AMRS, dos municípios de Palmela, Sesimbra e Setúbal e do ICNF, representa uma oportunidade única para promover, proteger e desenvolver de forma sustentável este território. A Reserva da Biosfera da Arrábida reforça a cooperação entre autarquias, instituições e cidadãos, afirmando-a como exemplo de equilíbrio entre natureza, cultura e desenvolvimento.
Hoje, a AMRS é uma instituição de referência, resultado de um trabalho continuo e dedicado. A capacidade de refletir, colaborar e construir soluções regionais permanece essencial para valorizar o território e fortalecer as suas comunidades.
A Região de Setúbal está de parabéns pelos seus 43 anos de história, conquistas e desafios superados. O futuro apresenta novos desafios e oportunidades que serão enfrentados com determinação e dedicação, assegurando um contributo ativo e insubstituível para uma Região cada vez mais desenvolvida e com melhor qualidade de vida para todos!

