“Uma Região a Brincar – Mapa de Lugares Conhecidos e a Descobrir”
A AMRS – Associação de Municípios da Região de Setúbal apresentou o projeto “Uma Região a Brincar – Mapa de Lugares Conhecidos e a Descobrir”, numa sessão que contou com mais de 100 participantes, realizada no dia 7 de maio, nos Serviços Centrais da Câmara Municipal do Seixal.
No seguimento da elaboração do “Manifesto pelo Direito a Brincar”, proclamado no encontro da Associação de Municípios da Região de Setúbal “O Tempo de Brincar é o Tempo de Crescer”, a AMRS decidiu mapear os lugares de brincar na Região de Setúbal, assumindo a identificação destes lugares — e de muitos outros a percecionar ou criar — como espaços públicos de apropriação pelas crianças e contributo para o “desenvolvimento integral da criança, para que o direito ao repouso e aos tempos livres, o direito de participar em jogos e atividades recreativas próprias da sua idade e de participar livremente na vida cultural e artística saia das páginas da Convenção dos Direitos da Criança para a Vida”*.
O trabalho de construção do mapa “Uma Região a Brincar – Mapa de Lugares Conhecidos e a Descobrir” foi realizado no âmbito do Grupo Intermunicipal da Educação da AMRS, com a colaboração do professor Frederico Moura e Sá, da Universidade de Aveiro, e da Editora Planeta Tangerina, responsável pela ilustração. O projeto envolveu os municípios de Alcácer do Sal, Alcochete, Grândola, Montijo, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal, Sesimbra e Setúbal.
Este projeto pretende valorizar os espaços formais e informais de brincadeira e, dessa forma, destacar os recursos e o trabalho desenvolvido neste âmbito na Região.
A transversalidade e multidisciplinaridade do projeto foram sublinhadas por Sofia Martins, secretária-geral da AMRS, na sessão de abertura, que contou com a presença da presidente do Conselho Diretivo da AMRS e Presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, e de Paulo Silva, Presidente da Câmara Municipal do Seixal e Vice-Presidente do Conselho Diretivo da AMRS.
Nesta sessão, Paulo Silva afirmou que “o lançamento do projeto está entrelaçado na celebração dos 52 anos do 25 de Abril e dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa. É, por isso, também uma grande homenagem a todos aqueles que lutaram para que o 25 de Abril fosse possível. Aqueles que, nas palavras de Soeiro Pereira Gomes, «foram os homens que nunca foram meninos», porque nunca tiveram o direito a brincar, porque tiveram de começar a trabalhar muito cedo. Por isso, garantir o direito a brincar é, indubitavelmente, cumprir Abril, valorizar a necessidade de proteção da infância e trabalhar para o futuro dos nossos territórios.”
Ana Teresa Vicente, Presidente do Conselho Diretivo da AMRS, reforçou a importância do projeto no contexto atual, “exatamente quando as nossas crianças precisam de ser absolutamente desafiadas, numa altura em que se centram excessivamente nas tecnologias e nos ecrãs. E é com a ajuda do ecrã que este projeto pretende catapultá-las para um espaço real, para um espaço de brincar e de brincar no território, em locais concretos”, valorizando o impacto destes projetos e do trabalho da AMRS na coesão da Região e no desenvolvimento da Região e do País.
Com a participação de cerca de 2300 crianças das escolas destes municípios e mais de 1200 contribuições, surgiu a tipologia de brincadeiras que deu corpo à navegação que o “Mapa do Brincar” agora possibilita em https://mapadobrincar.amrs.pt/.
A apresentação do processo de construção deste projeto esteve a cargo de Maria João Macau, vereadora da Educação e Cultura da Câmara Municipal do Seixal, de Frederico Moura e Sá, urbanista e professor da Universidade de Aveiro, e de Vanessa Silva, jurista e responsável técnica do Grupo Intermunicipal da Educação da AMRS.
Porque “brincar é a principal forma de expressão da criança, é a forma que tem de participar, de se expressar, de processar os acontecimentos da sua vida, de criar autoestima, capacidade de se defender, de arriscar, de descobrir; num momento em que as tecnologias de informação e comunicação dominam de forma avassaladora os tempos de brincadeira, importa também estimular o brincar através do movimento e do corpo, com os objetos e com os elementos naturais que a rodeiam”*, o recurso a um instrumento digital para potenciar a descoberta do espaço público pela criança assume particular relevância.
A AMRS assume o compromisso de apresentar o projeto às crianças e lança pistas para novas linhas de desenvolvimento do mesmo: um projeto de transformação de territórios e mentalidades, agregando vontades e construindo o futuro… num tempo em que brincar e ser criança sejam uma só palavra.

