Comissão de Acompanhamento bastante participada ouve especialistas
A reunião da Comissão de Acompanhamento da Arrábida a Património Mundial decorreu em três momentos: o primeiro foi dedicado ao balanço do trabalho realizado desde a última reunião (a 23 de Abril de 2010); num segundo momento, os presentes ouviram as comunicações de José Costa, sobre a componente da flora e de Heitor Baptista Pato, sobre a componente do património cultural. No terceiro momento, os representantes das diversas instituições tiveram a oportunidade de colocar dúvidas e questões durante um período de debate.
Neste evento, a Comissão Executiva da candidatura esteve representada pelos presidentes dos municípios de Palmela e Sesimbra, Ana Teresa Vicente e Augusto Pólvora, respectivamente, pelo vice-presidente do Município de Setúbal, André Martins, pela secretária-geral da AMRS, Fátima Mourinho e pela Directora do Instituto da Conservação e Biodiversidade, Sofia Castel-Branco.
Cristina Coelho e Pedro Maia, técnicos da AMRS responsáveis pela candidatura informaram que a maioria dos trabalhos de especialidades já foram entregues: «Os Valores da Herança» de Heitor Baptista Pato; «Estudo da Flora, Vegetação e Paisagem Vegetal da Serra da Arrábida»por uma equipa do Instituto Superior de Agronomia, liderada por Dalila Espírito Santo; «Componente Arqueológica da Candidatura da Arrábida a Património Mundial», por uma equipa coordenada por Joaquina Soares e Carlos Tavares da Silva do MAEDS; «Paisagem e Biodiversidade da Cordilheira da Arrábida», por uma equipa do Centro de Biologia Ambiental da Faculdade Ciências da Universidade de Lisboa liderada por Otília Correia e Margarida Santos Reis.
Os técnicos da AMRS referiram também que continua a execução de outros trabalhos científicos, bem como do Plano de Gestão. Numa outra vertente, a de divulgação, para além do filme apresentado nesta sessão, estão a decorrer outros eventos, de que destacamos, os concursos Arrábida Foto e Arrábida Curtas e Doc’s, a itinerância da carrinha continua pelas escolas da região (já esteve em 30, abrangendo cerca de 12 500 alunos) e está a ultimar-se o site da candidatura onde serão disponibilizados todos os documentos no âmbito da candidatura.
A Arrábida como marca que engloba todos os «produtos»
As apresentações científicas ficaram a cargo de José Carlos Costa – «Estudo da Flora, Vegetação e Paisagem Vegetal da Serra da Arrábida» - que fez a caracterização bioclimática da serra, revelando que “na serra da Arrábida concentra-se a maior riqueza em espécies de toda a Bacia do Tejo, havendo mais de uma centena de espécies com elevado valor de conservação.”
Heitor Baptista Pato, num estilo bem-humorado, que sempre o caracteriza perguntou à assistência “à semelhança do que se pergunta na canção da baiana “o que é que a Arrábida tem? Qual é a marca da Arrábida?”. De acordo com este especialista “a Arrábida tem tudo”. E explicou “poucos serão aqueles que, em multiplicidade total e unificadora – quase se diria orgânica – se distinguem em simultâneo pela importância: da sua paisagem; da geologia e da paleontologia; da flora e da fauna; da arqueologia e da iconografia; da arquitectura e da arte; da religião e da tradição popular; do edificado patrimonial e dos valores imateriais e simbólicos”.
O período de debate foi bastante eloquente com os representantes das diversas entidades a colocarem questões, a darem contributos válidos que certamente irão enriquecer o documento de candidatura.
Um processo com muitas etapas
Quase a terminar, Fátima Mourinho, secretária-geral da AMRS lembrou que este processo foi iniciado em 2002, e em 2004, o Bem «Arrábida» foi incluído na Lista Indicativa da Unesco. Sendo que, actualmente, e após uma reavaliação, a candidatura passou de Natural a Mista, alargando do ponto de vista de conteúdos (Natural e Cultural) e em termos de área a candidatar.
A responsável referiu ainda que no passado dia 18 de Fevereiro, a candidatura deu um grande passo nacional, o facto de ter conseguido “a unanimidade parlamentar em sede da Assembleia da República, com todos os partidos a votarem no apoio e saudação à mesma”.
Contudo, relembrou que “ todo o processo da candidatura tem sido custeado pelos Municípios Associados”.
É um processo que, à semelhança de outros que se têm levado a cabo pela AMRS, tem procurado o envolvimento do maior número de agentes regionais, de que a Comissão de Acompanhamento é um exemplo. Em simultâneo, para a execução das várias componentes, foram encontrados “os melhores especialistas científicos”, de que foi também exemplo a visita de um perito indicado pela Unesco à Arrábida no passado mês de Março. “Tudo tem sido feito para que o objectivo final seja alcançado”, assegurou.

