Municípios da Região de Setúbal defendem serviços públicos de água… sem chantagens
Para o Governo, constitui critério de avaliação de candidaturas o facto de o Município não ter «manifestado oposição ao processo de fusão de sistemas multimunicipais de captação, tratamento e distribuição de água para consumo público e/ou recolha, tratamento e rejeição de efluentes ou os processos de verticalização através de parcerias estabelecidas no âmbito do Decreto-lei n.90/2009, de 9 de Abril» (in Regulamento Específico Ciclo Urbano da Água – Vertente em Baixa – Modelo não Verticalizado).
De acordo com o Alfredo Monteiro isto “é uma chantagem clara e inaceitável que põe em causa a autonomia do Poder Local”, acrescentando ainda que “aqui nem se trata do Memorando assinado com a Troika, mas de uma opção governamental.” Esta é, assegura o edil, a mesma linha de orientação que pretende “entregar aos privados aquilo que foi investimento dos Municípios ao longo de várias décadas, ao nível das infra-estruturas de abastecimento de água e de saneamento…”.
Uma “privatização, concessão ou fusão de serviços públicos que não serve os concelhos, a Região ou o País” e, por isso , “deve ser combatida por todos os cidadãos”.
Perante esta imposição, os Municípios decidem o seguinte:
1- “Afirmar considerar ser inaceitável a pressão exercida pelo Governo sobre os Municípios, utilizando o acesso a fundos comunitários como instrumento de chantagem para a aceitação da sua estratégia para o sector;
2- Considerar inconcebível que o Governo promova a utilização de recursos públicos para a realização de investimentos nas redes de água e saneamento que prevê entregar à gestão privada, isentando-a do risco e do investimento;
3- Exigir o respeito pela autonomia do Poder Local e a imediata supressão do critério que faz depender a avaliação das candidaturas da concordância ou não com a estratégia governamental para o sector da água e saneamento;
4- Reafirmar a sua firme oposição à estratégia do Governo de privatização do sector, através das referidas fusões, verticalizações e concessões;
5- Reafirmar o seu compromisso com as populações da Região de defesa da gestão pública da água e do saneamento, de defesa das competências municipais nestas matérias, de manutenção de um serviço público de excelência ao serviço das populações.”
“Não desistimos de procurar outro caminho, outra política"
Para finalizar, o autarca não quis deixar de transmitir uma mensagem de esperança e de resistência, dizendo que “não desistimos de procurar outro caminho, outra política. Está hoje claro que a que temos não serve”.
Leia aqui o comunicado dos Municípios na íntegra»»»

