Municípios querem outro caminho para a Região e para o País
Alfredo Monteiro, presidente do Conselho Directivo da AMRS fez um diagnóstico sombrio das opções que o Governo tem preparadas para a Região, “são incompreensíveis as decisões que levam à indefinição de projectos indispensáveis para o desenvolvimento da Região e onde o Poder Local não foi ouvido”. O autarca referia-se concretamente ao “ Projecto do Arco Ribeirinho Sul, à conclusão da CRIPS – Circular Regional Interna da Península de Setúbal, ao Novo Aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete, à Terceira Travessia do Tejo entre Barreiro e Chelas, à linha de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, ao Hospital do Seixal, à extensão do Metro Sul do Tejo e à Plataforma Logística do Poceirão”. Projectos estes que “constituem um conjunto de investimentos na Região que pela sua importância estratégica correspondem ao interesse nacional, devendo ser encarados como prioritários, na medida que são instrumentos de dinamização e potenciação do desenvolvimento económico da Região e do País, fundamentais à resolução dos problemas que afectam as populações.” “Sem investimento, não há desenvolvimento económico”, concluiu.
O Presidente do Conselho Directivo, declarou ainda a disponibilidade dos autarcas para “dialogar com o Poder Central”, no sentido de se encontrar a alternativa mais justa viável e que não ponha em causa o desenvolvimento da Região, que é também o desenvolvimento do país, “uma vez que Setúbal é o terceiro maior contribuinte em termos de impostos para o todo nacional.”
Informou também que existem já algumas iniciativas pensadas, no quadro da AMRS, nomeadamente “pedidos de reunião a vários membros do Governo; uma reunião do PEDEPES, que reúne cerca de 240 entidades e instituições da Região; propor à ANAFRE uma reunião de autarcas; tomada de posição nos vários órgãos autárquicos.”
A Grécia prova que este modelo económico não resultou
Luís Franco, Presidente da Câmara Municipal de Alcochete considerou que estamos perante “dois paradigmas económicos antagónicos”, um que cobra impostos excessivos, cortes cegos e impõe austeridade à custa das pessoas, e outro que propõe racionalidade no investimento, mas que não retira desenvolvimento à região ou ao País. A questão é, sublinhou, a “resignação face à situação ou a apresentação de projectos alternativos”. Concluindo que “no caso da Grécia já se viu que o tipo de modelo económico adoptado não serve”.
“Queremos ser uma pedrada no charco”
Maria Emília de Sousa, Presidente da Câmara Municipal de Almada recordou que “a política seguida até aqui não serve a região ou o país”, veja-se, recordou a autarca o “desmantelamento da indústria naval, a destruição das confecções, das moagens. Todo o aparelho produtivo desapareceu.” “Um País que não produz, não pode criar riqueza, não pode ter desenvolvimento económico, não pode promover a qualidade de vida das pessoas”. “ O caminho tem de ser outro”, concluiu.
De acordo com a edil “é preciso continuar a investir. As Câmaras têm pequenas obras que se pararem atiram para a falência as micro e pequenas empresas”. “Queremos ser uma pedrada no charco”, reafirmou.
Alternativas precisam-se
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro salientou que “toda a gente concorda que a situação do Distrito, do País e do Mundo é complexa e está mal e a das instituições também está mal, mas a das pessoas está bem pior, pois aquelas só existem para servir as populações”.
E acrescentou que “divergimos no modo como o Mundo está organizado”, contudo, “chegámos aqui e agora com realismo, bom senso, grande equidade, coragem e estratégia clara queremos apresentar alternativas.” E sublinhou que “as autarquias não negam a crise, querem é medidas alternativas, nós não podemos deixar que se deite fora o menino com a água do banho”, reforçou.
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