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Bibliotecas Públicas da Região de Setúbal, medir o que é imensurável

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2018/11/23

A liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos são valores humanos fundamentais. Só serão atingidos quando os cidadãos estiverem na posse da informação que lhes permita exercer os seus direitos democráticos e ter um papel ativo na sociedade. A participação construtiva e o desenvolvimento da democracia dependem tanto de uma educação satisfatória, como de um acesso livre e sem limites ao conhecimento, ao pensamento, à cultura e à informação. Assim o refere o manifesto da IFLA (International Federetion of Library Associations and Institutions), de 1994 sobre as Bibliotecas Públicas.

A discussão está a ser feita em praticamente todos os cantos do mundo. Cada vez mais se debate a importância e o valor social das bibliotecas a par e passo com a sua missão para a formação integral do indivíduo e para o desenvolvimento das sociedades.

Os principais desafios que as bibliotecas públicas enfrentam hoje, assentam na necessidade de elaborar políticas públicas adequadas, voltadas para a leitura e para o livro, como forma de redefinição do seu papel na sociedade, que está a mudar significativamente e um passo acelerado.

O apuramento do valor das bibliotecas em termos económicos mas também sociais, está na base da compreensão da sua importante missão e o valor de referência de poupança para o público, pode permitir que a comunidade tenha uma ideia clara e refletida sobre qual de facto é o valor e a função social das bibliotecas, bem como, quais os benefícios para quem as usa e para toda uma sociedade.

A Região de Setúbal tem mostrado estar na génese da leitura pública, através do trabalho assumido pelas suas autarquias, no seio da Associação de Municípios da Região de Setúbal. A concretização do X Encontro de Leitura Pública, versando o tema Redes Sociais e Bibliotecas em Rede, permitiu uma reflexão sobre este valor que, nos dias de hoje, não é verdadeiramente quantificável. Ora, se a importância social da biblioteca pública assenta justamente na ideia de se conseguir pensar nas necessidades da comunidade na qual ela está inserida, e saber reconhecer os interesses da população, importa também mostrar e reconhecer-lhe a sua faceta económica.

A campanha Somos Bibliotecas, que se constitui como uma ferramenta de promoção, divulgação e apresentação das bibliotecas públicas, permitiu, através da sua calculadora, apurar os valores de poupança aos demais utilizadores das bibliotecas públicas.

Se falarmos em dados económicos só na Região de Setúbal, que comporta os municípios de Alcácer do Sal, Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal, Sesimbra e Setúbal os números foram claros quanto a um serviço apenas, o “empréstimo domiciliário”, com uma poupança acima dos 18 milhões de euros no período de 2010 a 2017.

O Projeto Dar de Volta, só no ano de 2017, representou também uma poupança para as famílias dos 8 municípios onde decorreu este projeto (Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal e Setúbal), cerca de 18.000 manuais escolares dados às famílias. Se considerarmos como um valor médio de referência de um manual escolar, os 20 euros, podemos constatar que a poupança para as famílias ascende aos 378.000 euros.

Ainda, e com grande peso para o quadro Região, importa referir o universo de utilizadores nas suas bibliotecas públicas, sendo que, os dados de 2017, apontam para cerca de 602.213 utilizadores e visitantes.

Muito mais do que um património cultural, a biblioteca pública é um espaço privilegiado, que garante igualdade de acesso para todos e o seu valor social e económico é de facto imensurável, alcançando o que por vezes não é visto. É disso exemplo o trabalho em direta articulação, através do Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares (SABE) às redes concelhias de bibliotecas escolares, fomentando e catapultando, através de estruturas concertadas, a promoção da literacia nas escolas. Este portal de aprendizagem vai muito para além do que se imagina, é uma aprendizagem permanente e cultural dos indivíduos e das comunidades mas para aqueles que ousam passar pela porta de uma biblioteca pública.

Observe-se ainda, que neste Encontro, foi possível corroborar a tese que, a biblioteca pública assume, na sociedade atual, um papel fundamental para o estímulo à participação dos cidadãos, incluindo o facto de se configurar como um polo essencial na vida cultural de todos os municípios e comunidades. É preciso, que se reforcem as políticas públicas de investimento nestes equipamentos de forma catalisadora, com um aumento dos meios financeiros, humanos e materiais para que as bibliotecas públicas funcionem com qualidade, e possam exercer o papel desafiador que a sociedade impõe.